28 28UTC fevereiro 28UTC 2011
Aniversário e Despedida do Pedro!!
Oi gente!
Como muitos sabem, dia 10 estou indo para a terra de Jorge Amado e
Caetano Veloso.
Para quem não sabe ainda, eu passei num concurso e farei, em 2011, o Curso de Formação de Oficiais para ingressar no Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Se tudo der certo em dezembro de 2011 eu me formo Primeiro Tenente e a partir de 2012 estarei lecionando em algum Colégio Militar desse enorme Brasil.
Como no dia 2 é o meu aniversário e no meio do caminho
tem o Carnaval, vou organizar uma função única…
O quê? Aniversário e despedida do Pedro
Quando? Quarta feira, dia 2 de março
Que horas? A partir das 19h30. As mesas ficam reservadas até as 21h…
Onde? no Taco Pub ( http://www.tacopub.com.br/ ). Fica na Getúlio
Vargas 989. Tem mesas de sinuca e uma pizza muito boa. Eles cobram
R$5,00 de ingresso, mas pedindo uma pizza grande eles isentam três
pessoas do ingresso.
Conto com a presença de todos para ganhar aquele “upa” de despedida.
Estou precisando dessa energia toda nesse começo de vida nova.
Esse convite é para TODAS as pessoas que me conhecem e que tenham vontade de me dar um tchau, um abraço, um até logo. Não importa se falei com você ontem ou se não nos falamos faz 10 anos, se você tem vontade de ir, vá que eu vou gostar. Se você quiser levar aquele amigo em comum, aquela outra pessoa que por um motivo ou outro não foi atingida diretamente por esse convite, ela está convidada também! Qualquer coisa, é só me ligar: 81374482
Abração e até lá!
13 13UTC maio 13UTC 2010
O Rei Está Morto
Como alguns já perceberam esse blog não é atualizado faz bastante tempo…
Fato é que, além do reinício das aulas, algumas mudanças aconteceram.
Gostaria de agradecer a todos que me acompanharam por aqui, mas esse espaço está fechado por período de tempo indefinido.
A partir de agora eu publico um texto por semana sobre cinema, toda quinta-feira, no Páginadois. O Páginadois é um site bem legal sobre música, cinema, literatura e cultura. Dêem uma passada lá em www.paginadois.com.br . Tenho certeza que vocês vão gostar.
É, terminou a sessão. Mas sabe-se lá quando as produtoras vão querer um reboot na franquia…
11 11UTC março 11UTC 2010
Preciosa (Precious, Lee Daniels, 2009)
Colocando em dia meus relatos, semana passada, ainda antes da cerimônia, assisti o badalado “Preciosa”. É difícil dizer sobre o filme alguma coisa que ainda não tenha sido dita. O filme foi um projeto da Oprah, e deu certo como tudo em que ela bota a mão. É uma história das mais pesadas que eu vi recentemente no cinema. (Atenção: daqui para frente alguns spoilers) Numa desestruturada família de classe baixa dos EUA, não se vive o sonho americano. Preciosa tem 16 anos e tem que conviver com um pai que a molesta sexualmente, uma mãe que a odeia e a vê como rival, uma filha com síndrome de Down, resultado de um dos abusos do pai, e uma segunda gravidez aos 16 anos. Uma vida completamente sem perspectiva.
O roteiro adaptado por Geoffrey Fletcher foi, com justiça, ganhador do Oscar de Roteiro Adaptado. O diretor, Lee Daniels, indicado ao Oscar por esse filme, optou por um trabalho cru, quase documental. A câmera acompanha as perambulações de Preciosa pela cidade. A sequência do filme é atrapalhada, na minha opinião, pelos momentos ficcionais de fantasia de Preciosa. Acho que eles não se encaixaram bem na sequência do filme, mas passam longe de atrapalhar.
Agora, falar de “Preciosa” é falar, sem sombra de dúvida de duas atuações. Gabourey Sibide, estreante, faz Preciosa. Nunca tendo antes feito cinema, a menina de 27 anos fez uma personagem muito difícil de fazer sem cair no caricato. E o fez muito bem. A Preciosa de Gabourey é crível. E intensa. A menina fala pouco (a maior parte do que a gente ouve no filme são seus pensamentos), mas diz muito. Ainda não vi “The Blind Side”, mas é bom que a Sandra Bullock tenha realmente se puxado para merecer ter levado essa. E bom, há Mo’Nique. A atuação dela como Mary, a mãe de Preciosa, é um soco no estômago. Mo’Nique é uma apresentadora americana que faz algumas pontas em séries e filmes. Já foi dito que Mo’Nique receou em aceitar o papel por ter sido ela mesma vítima de abuso sexual quando criança, mas que ao terminar as filmagens teria achado muito terapêutico. Não duvido. A Mary dela é verdadeira, cruel e nojenta. E, ao final do filme, digna de pena. Com certeza a grande atuação de 2009, ao lado de Christoph Waltz em “Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, Quentin Tarantino, 2009). Não fosse bom o filme, valeria só pelas atuações de Sibide e Mo’Nique. Mas além disso o filme é bom. Assista. Mas não programe nada muito feliz para fazer depois…
8 08UTC março 08UTC 2010
Oscar 2010
A octagésima segunda cerimônia do Oscar foi, para quem assistiu os filmes e leu um pouco, uma cerimônia sem grandes surpresas. Qualquer um que tenha ficado (muito) surpreso com a vitória de Guerra ao Terror (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow) sobre Avatar (James Cameron) é porque não assistiu aos filmes ou não parou para pensar em como a Academia pensa e vota. Eu não tenho dúvida nenhuma que o filme de Cameron é (e será) muito mais importante para a história do cinema do que Guerra ao Terror. Daqui 30 ou 40 anos Avatar ainda será uma referência, e Guerra ao Terror será mais um filme de guerra que venceu o Oscar, como Platoon (Oliver Stone, 1986), Patton – Heroi ou Rebelde (Patton, Franklin J. Schaffner, 1970) ou A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on Kwai River, David Lean, 1957). Um bom filme de guerra, mas um filme de guerra. Todos os prêmios técnicos de Guerra ao Terror (Mixagem de Som, Edição de Som e Montagem) são absolutamente corretos. O filme é tecnicamente perfeito. Da mesma forma o histórico prêmio de direção para Bigelow também foi justo. O filme dela é melhor que Avatar, sem dúvidas. Guerra ao Terror é mais filme que Avatar. Mas Avatar é mais importante, e imagino que será ainda mias importante com o passar do tempo. Palmas para a Academia por ter premiado uma mulher. Hollywod anda exorcizando seus fantasmas: não faz muito tempo que negros foram premiados em categorias principais e agora uma mulher ergue as duas estatuetas mais importantes. A premiação de Avatar (Efeitos Visuais, Direção de Arte e Fotografia) é justa com o que o filme tem de melhor: o espetáculo visual que ele proporciona. Claro que poderia ter pintado o prêmio de melhor filme também, não seria surpresa total já que Avatar é a maior bilheteria de todos os tempos da história do cinema. Vale lembrar, porém, que Cameron já tem na prateleira os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor, por Titanic. A Academia preta atenção nesses detalhes. Já Guerra ao Terror, por outro lado, é o vencedor da categoria Melhor Filme com menor bilheteria em todos os tempos, mas deu à Academia a chance justa de premiar uma mulher.
Nas categorias de atuação, Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) e Mo’Nique eram as barbadas da noite. Qualquer vencedor nas categorias de coadjuvantes que não fossem eles seriam zebras históricas. Nas categorias de Ator/Atriz em um papel principal os comentários das últimas semanas davam indícios claros de para quem iriam as estatuetas. O prêmio a Jeff Bridges além do reconhecimento por uma ótima atuação ainda inédita por aqui em Coração Louco (Crazy Heart, Scott Cooper, 2009) foi o prêmio a uma sólida carreira, algo que a Academia gosta de reconhecer. Já o prêmio a Sandra Bullock pelo também inédito por aqui The Blind Side (John Lee Hancock, 2009) é um outro tipo de prêmio que a Academia curte: a volta por cima com muito esforço e demonstração meio tardia de talento, como as premiações de Julia Roberts por Erin Brokovich (2000) ou Kim Basinger por LA Cidade Proibida (Curtis Hanson, 1997). Gabourey Sibide poderia ter sido premiada também, sua atuação em Preciosa (Precious, Lee Daniels, 2009) é uma das coisas que marcam o filme, justamente premiado na categoria Roteiro Adaptado, onde o favorito era Amor Sem Escalas (Up in The Air, Jason Reitman, 2009).
Falando em roteiro, podemos dizer que a grande injustiça da noite foi o prêmio de Roteiro Original. “Bastardos Inglórios” (Inglorious Basterds, Quentin Tarantino, 2009) era o melhor FILME da noite, mas todos já davam como certo que tanto o filme como Tarantino seriam injustiçados novamente, como em 1994 quando Pulp Fiction perdeu o prêmio de filme para Forrest Gump e Tarantino o de Direção para Robert Zemeckis. Mas também todos achavam que, como em 1994, Tarantino levaria como prêmio de consolação o trofeu de Roteiro Original. Mas a zebra aqui foi Guerra ao Terror, que estava numa noite de sorte mesmo. O bom roteiro de Mark Boal recebeu seus votos antes do estouro da denúncia de que, na verdade, seu roteiro seria plágio da história de um sargento americano. Fosse a votação do Oscar uma semana mais tarde e jamais Boal levaria esse prêmio…
Se Tarantino sair de mãos abanando foi a grande injustiça da noite, a grande surpresa foi na categoria Filme Estrangeiro. Todos davam de barada a vitória de A Fita Branca (Die Wise Band, 2009), o soco no estômago proporcionado por Michael Haneke, e o vencedor foi o argentino elogiadíssimo O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de Tus Ojos, 2009). É o segundo oscar dos hermanos, que já venceram em …. por A História Oficial (La História Oficial, Luiz Puenzo, 1985). Como ainda não vi o filme, não posso dar maiores opiniões, mas estar perdendo por 2×0 para os hermanos nunca é legal…
De resto, a cerimônia foi bem conduzida. Momentos legais foram às homenagens a Roger Corman e Lauren Bacall, duas lendas do cinema. A homenagem a John Huges foi, na opinião de alguém que viveu os anos 80, o grande momento da noite. Molly Ringwald e Matthew Broderick, ícones da minha adolescência, fizeram a apresentação. A já tradicional homenagem aos que se foram em 2009, incluindo Patrick Swaize e Michael Jackson, foi legal também. Gostei muito dos comentários feitos por amigos sobre os indicados a melhor ator. Um dos melhores discursos da noite foi o da Oprah, falando sobre a Gabourey Sidibe. A Michelle Pfeiffer falando sobre o Jeff Bridges foi legal também. Oquei, sou suspeito: a Michelle Pfeiffer fazendo qualquer coisa é legal para mim, enfim. A apresentação de dança para as melhores trilhas sonoras foi meio bizarra, e eu senti falta da apresentação das canções.
No mais, foi Oscar. Discursos emocionados, como o de Sandra Bullock. Intermináveis, como o de Jeff Bridges. Politizados como o de Geoffrey Fletcher, roteirista vencedor por Preciosa. E vestidos bonitos e estranhos, também. Os apresentadores, Steve Martin e Alec Baldwin, foram boas escolhas. Uma das melhores tiradas da noite, porém, não foi deles: Juan José Campanella, o argentino que dirigiu O Segredo dos Teus Olhos, agradeceu à Academia por Na’vi não ser considerada língua estrangeira. Talvez, se fosse, Cameron saísse do Kodak Theatre com um trofeu de Melhor Filme. Mas só talvez.
23 23UTC fevereiro 23UTC 2010
Sherlock Holmes (Guy Ritchie, 2009)
Oquei, eu fui de má vontade. Eu vi o trailler e não gostei. Tudo porque eu sou contra a transformação de todo e qualquer heroi num heroi de ação. Nada contra um Jason Bourne da vida, por exemplo. Ele foi criado para ser isso e o faz muito bem. O problema é transformar personagens que não são de ação em herois de ação. A primeira vez que eu senti isso foi com “Missão: Impossível” (Mission: Impossible, Brian de Palma, 1996). Qualquer um que tenha assistido a série clássica da TV (e sim, eu sou um desses idosos) sabe que ela é muito mais uma série sobre trabalho em equipe do que o agente Ethan Hunt do Tom Cruise nos faz pensar. Ele não é muito diferente do Jason Bourne, no fim das contas. Se o Brian de Palma ainda tentou dar algumas tintas sobre isso no primeiro filme o fato da continuação, M:I-2 (2000) ter sido deixada ao encargo de John Woo já dava indícios do que a série iria se tornar. Nessa mesma linha eu sou um crítico do James Bond de Daniel Craig. Os melhores Bonds (Sean Connery, Roger Moore e, sim, Pierce Brosnan) eram herois de força, mas muito mais que isso. Eram charmosos, irônicos e até delicados, as vezes. Craig é Bourne. Ou Ethan Hunt. Ou Sherlock Holmes. Pelo menos o Holmes de Guy Ritchie.
Não se pode acusar o filme de não entregar o que o trailler promete, nesse caso. Holmes, num bom desempenho de Robert Downey Jr., é um heroi de ação. É um detetive que, nos seus momentos de folga, pratica inclusive luta de rua. É agil, forte e rápido. Talvez um pouco mais do que o necessário. O Holmes de Sir Arthur Conan Doyle era, de fato, um exímio boxeador, mas sempre preferia não utilizar seus atributos físicos. Alguns dos melhores momentos do filme são justamente quando Holmes usa o seu maior poder: a tremenda capacidade de dedução.
Faz o mesmo gênero o Dr. Watson de Jude Law. Aqui um acerto: o Watson de Law, apesar de não aguentar mais a convivência com o difícil Holmes, é tenaz e esperto. Não é Sancho Pança, como tantas vezes já foi retratado. E não, nos livros de Conan Doyle ele também não o é. Jude Law acertou a mão na interpretação
Irene Adler, a “mocinha” de Rachel McAdams, é muito menos do que poderia ser. Falta, talvez, uma cena para ela. É uma personagem que pode ser muito melhor. By the way, Rachel McAdams contiuna linda.
Mark Strong faz um dos vilões do filme (o outro não sabemos quem é) e o faz bem. Ele é um vilão clássico, em toda a acepção do termo. Ele quer conquistar o mundo e moldá-lo a sua imagem e semlhança.
O roteiro é bom. Ele nos leva por um caminho (ocultismo) que pode surpreender num primeiro momento mas que, até o final do filme, dá tudo aquilo que uma boa história de Sherlock Holmes deveria ter. A fotografia e o figurino estão lindos, meio que injustificável a não-indicação para o Oscar (pelo menos o de figurino). A direção de arte caprichou na reconstrução da Londres vitoriana e levou com justiça a indicação. A trilha sonora também foi indicada com justiça. Aliás não precisava dizer isso, só bastava dizer que é do mestre Hans Zimmer. Enfim, tecnicamente o filme é muito bem feito e também muito bem conduzido por Ritchie. O diretor de “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (Lock, Stock and Two Smoking Barrels, 1998) e de “Snatch” (2000) deixa a sua marca em uma narrativa que tradicionalmente joga com a cronologia e que conta competentemente uma história. Nesse sentido fazia tempo que eu não via um filme de ação com cenas tão nítidas, o que é um ponto para o Ritchie.
No fim das contas, o filme é bom. Desconsiderem o meu problema com a questão da transformação de todo e qualquer heroi em Jason Bourne. Desconsiderem o fato de eu ser um pouco cricri com adaptações que tomam liberdades. Desconsiderem isso e o que sobra é um bom filme de ação. E um monte de ganchos para continuações. Senhoras e senhores, estamos diante de mais uma franquia que vai render algumas centenas de milhões de dólares para Hollywood. Elementar, não? ; )
19 19UTC fevereiro 19UTC 2010
Guerra ao Terror (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008)
Algumas coisas tem que ser ditas antes de se falar do filme propriamente dito:
1) “Guerra ao Terror” teve pré-estreias nos festivais de Veneza e de Toronto em setembro de 2008. No Brasil foi lançado em DVD em março de 2009. E estreou nos cinemas em 5 de fevereiro de 2010. O único motivo que fez o filme entrar no circuito comercial foram as indicações do prêmio da academia. Seria bizarro um filme ganhar o Oscar de Melhor Filme e o de Melhor Diretor e não ter passado no cinema no Brasil. Vai aí uma crítica danada para o nosso sistema de distribuição. “O Fada do Dente” tem espaço nas salas, mas o ótimo filme da Bigelow não…
2) “Guerra ao Terror”. Guerra ao Terror? WHAT A FUCK!?!? Sério, por que esse nome?? A tradução literal do título seria “O Desarmador de Bombas”. Alguém pode dizer que é um título que não chama público… mas “Guerra ao Terror” chama? Sério, o nome dá a entender que o filme, de alguma forma, corrobora com a tese da Guerra ao Terror do W. Bush. Mais um nome ridículo que ATRAPALHA o filme, visto que muita gente deixou de ir vê-lo por pensar que se tratava de patriotada americana idiota.
Dito isso, vamos ao filme: Bigelow fez um filme sobre guerra. Mas mais do que isso, fez um filme sobre soldados. O filme se passa no Iraque, mas podia se passar no Afeganistão. Ou podia se passar no Vietnã, na Coreia ou na Europa dos anos 40. É um filme sobre como vivem e se sentem os soldados, e nesse sentido ele é universal. Ponto para ela. O filme narra o cotidiano de um esquadrão norte-americano de desarmadores de bombas, que são fundamentais no Iraque. A primeira cena do filme tem uma tensão fantástica. E é brilhantemente dirigida por Bigelow. A luz da cena, a fotografia, a câmera lenta nos momentos precisos… Acho que daria para ouvir um alfinete caindo no chão naquele momento. O filme tem outras cenas ótimas de desarmes de bomba, embora em nenhuma delas Bigelow tenha conseguido reconstruir a tensão da primeira. Jeremy Renner, Anthony Mackie e Brian Geraghty fazem o principal esquadrão anti-bomba, a “Cia Bravo”, e os três estão muito bem. Cada um deles retratando uma faceta diferente do soldado, do psicótico ao aterrorizado, do paranóico ao otimista, todos os soldados estão no filme. A direção da Bigelow é surpreendentemente competente: ela parece saber o que está fazendo e conduz o filme muito bem. A fotografia é ótima também. A luz e a claridade fazem quem que quase sintamos o calor do deserto. O roteiro do estreante Mark Boal também é muito bom. Na minha opinião ele e Bigelow deixaram de fazer um filme perfeito ao não terminarem-no alguns minutos antes. Para mim a cena do cereal, no supermercado, teria fechado o filme com chave de ouro.
“Guerra ao Terror” é, sem dúvida, um bom filme. Mas concordo com o Huyer ( www.fakeline.wordpress ) . Com todo o hype que se criou em torno do filme, com toda essa coisa do lançamento, eu esperava mais. Sem dúvida é um bom filme, mas a função que se criou no meio dos cinéfilos com essa coisa do “não-lançamento” fez com que eu (e mais algumas pessoas) esperassem O Filme, enquanto ele é apenas um filme. “Guerra ao Terror” tem nove indicações para o Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor (Kathryn Bigelow), Roteiro Original (Mark Boal), Melhor Ator (Jeremy Renner, indicação merecida), Fotografia (outra indicação justa), Montagem, Trilha Sonora Original, Edição de Som e Mixagem de Som. A disputa será com Avatar para ver qual dos filmes levará mais estatuetas e, sem sombra de dúvidas restará uma disputa toda particular entre James Cameron e sua ex-mulher, Kathryn Bigelow. Os dois são amigos e disputam as categorias de Filme e Diretor. Se Avatar, de Cameron, gerou todo o bafafá que gerou e é um franco favorito “do povão”, Guerra ao Terror, de Bigelow, tecnicamente é um filme que é a cara da Academia. Esperemos março para ver o resultado!
14 14UTC fevereiro 14UTC 2010
O Lobisomem (The Wolfman, Joe Johnston, 2010)
“O Lobisomem” é um remake de um filme de horror de 1941, dirigido por George Waggner. Como todo bom filme de terror do final dos anos 40, lá está Bela Lugosi, entre outras coisas. Vale lembrar que nessa época muitos dos paradigmas do terror estavam sendo feitos: os arquétipos de vampiro, lobisomem, golem (o monstro do Dr. Frankenstein) foram criados em filmes desse período. São filmes dos anos 30 e 40, com roteiros dos anos 30 e 40 e efeitos especiais dos anos 30 e 40. Se a gente levar isso em conta, são bons filmes.
O que não é a mesma coisa que se pode dizer do filme de Johnston. Eu não sei como um ator do naipe do Anthony Hopkins se mete numas furadas dessas. Pensando bem, por mais oscarizado que seja o eterno Dr. Hannibal Lecter, ele tem uma lista grande de barcas furadas no currículo, às quais esse “O Lobisomem” vai se somar. A atuação de Hopkins é não mais que média, assim como a de Benício del Toro, o protagonista, e Emily Blunt, a mocinha. A única atuação melhorzinha foi a do coadjuvante Hugo Weaving (o eterno Agente Smith de Matrix). Atuações apagadas. Roteiro? Previsível e sofrível. Algumas coisas injustificáveis, dentre elas o romance entre os personagens de del Toro e Blunt. Eles nem se conheciam direito e em dois dias tem um Amor Eterno?
[NOTA: o WordPress, por algum motivo obscuro, comeu metade do meu post. Mais da metade, na real. O que vem abaixo é uma tentativa dereconstruir em parte o que estava aqui. Malditos!]
Por que os ciganos estão lá? Algumas horas de estudo fizeram com que a personagem da Blunt se tornasse expert em Lobisomem e fosse atrás de Maleva, a sábia cigana. Por que?? A cigana não acrescenta absolutamente nada no filme! O grande “vilão” do filme torna-se previsível depois do décimo minuto do filme, o final é previsível a partir da metade. O personagem que poderia ser o mais interessante do filme, o “servo indiano sikh” do Anthony Hopkins, é mais uma promessa não cumprida do roteiro.
Alguns filmes de terror ou ação se salvam pelos efeitos especiais. Não é o caso de “O Lobisomem”. A transformação é mal feita, a maquiagem é paupérrima e os movimentos do lobisomem tendem ao ridículo. A fotografia é escura demais. Um filme de terror tende a ser escuro mas “O Lobisomem” é escuro DEMAIS. Os atores são prejudicados por isso, visto que várias vezes fica muito difícil de enxergá-los.
Se é para ver filme sobre lobisomem recomendo o clássico “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), do John Landis. Landis é o diretor do clássico clip de “Thriller”, de Michael Jackson, que pode ser chamado de um (ótimo) curta de horror. O filme de Landis, de 81, tem efeitos especiais que chocaram na época e que ainda hoje são bem legais de se assistir.
Johnston, o diretor, me preocupa porque é o responsável por um filme prometido para 2011 e no qual eu, como fã de quadrinhos, tenho muita esperança: Capitain America: The First Avenger. Johnston já dirigiu a péssima sequência Jurassic Park III (2001) e a adaptação de quadrinhos bastante ruim “The Rocketeer” (1991). Espero que o trabalho dele com o Capitão América me surpreenda e não me deixe com vontade de uivar (de raiva) para a lua…
12 12UTC fevereiro 12UTC 2010
Up – Altas Aventuras (Up, Peter Docter, 2009)
“Up – Altas Aventuras” é uma animação da Pixar. Me dá vontade de não escrever nada além disso. A Pixar foi responsável pela revolução das animações nos últimos 15 anos. Começou com Toy Story, em 1995. Atingiu um nível inimaginável em 2003, com Procurando Nemo, considerado por muitos como a melhor animação de todos os tempos. E se alguém se questionava se o cinema de animação da Pixar poderia ser considerado arte, a resposta veio em 2008 com Wall-E. Sem contar os “menos cotados”, como “Vida de Inseto” (1998), Monstros SA (2001), Os Incríveis (2004) e Ratatouille (2007). A Pixar inaugurou um segmento no qual as outras produtoras se esbaldaram depois: a animação feita para crianças, mas não só para crianças. A Disney, que domina o mercado de animação desde que ele existe, não é boba: depois de perceber que não podia enfrentar a Pixar decidiu, em janeiro de 2006, comprá-la por 7,4 BILHÕES de dólares.
Tudo isso para dizer que “Up – Altas Aventuras” não foge à tradição da Pixar. A animação está linda e cuidadosa, como sempre. Os personagens principais, Sr Fredricksen e Russel, tem uma empatia muito grande. As vozes de ambos foram bem escolhidas (na versão legendada) e bem dubladas. Os coadjuvantes deles, Dug, o cachorro e Kevin, a ave, também são ótimos. Kevin não precisa dizer uma única palavra para que gostemos dele (vou manter assim para evitar o spoiler para quem ainda não viu…). Os cachorros todos são um show a parte. O mecanismo para que os cachorros falem foi muito bem pensado e executado. A música do filme é linda também. Não por acaso Michael Ghiacchino foi indicado ao Oscar pela trilha sonora do filme. O roteiro, que também é de Docter (que também dirigiu Monstros SA), é bem amarradinho, com algumas surpresas e reviravoltas.
A nomeação para concorrer ao Oscar de melhor filme talvez seja um pouco demais, mas Up vai com justiça levar o prêmio de melhor animação.
Up, evitando spoilers, é um filme sobre o mesmo assunto que vários filmes da Pixar: é um filme sobre seres humanos e a necessidade que temos uns dos outros. É um filme sobre o valor da amizade e do companheirismo. É um filme sobre escolhas e heroísmos. E tudo isso sem ser um filme piegas. Assista. Assista que vale a pena.
(Com esse já são quatro dos indicados ao Oscar de Melhor Filme que eu assisti: Avatar, Bastardos Inglórios, Amor Sem Escalas e Up. Para o final de semana, se tudo der certo, devo conferir Distrito 9 e Preciosa. Maldita Academia que elevou para dez o número de indicados…)
11 11UTC fevereiro 11UTC 2010
Nine (Rob Marshall, 2009)
Lembro de quando eu saí do cinema depois de ter assistido “Chicago” (Rob Marshall, 2002). Era o cinema antigo do Iguatemi, que fica onde hoje é o terceiro andar da Renner. Lembro de ter saido do cinema com aquela sensação de encantamento que o melhor cinema espetáculo consegue proporcionar. O figurino, a história, os atores, as coreografias, os números musicais… tudo era perfeito. E, fundamentalmente, as músicas. Um bom musical é composto, antes de mais nada, por músicas. E algumas das músicas de “Chicago” eu consigo cantarolar tranquilamente ainda hoje. Um bom musical (e isso é uma das coisas que Hollywood melhor faz) tem que ter, principalmente, boas músicas. E ao que parece Rob Marshall esqueceu isso.
“Nine” tem tudo para ser um grande filme. Daniel Day-Lewis, caramba, é um dos melhores atores da atualidade. E está perfeito como Guido Contini, o diretor de cinema italiano dos anos 50 que está atormentado pela falta de um roteiro. Marion Cotillard, que já esteve ótima em “Piaf” (La Môme), faz a linda e docemente triste esposa de Contini. Penélope Cruz, cada vez mais linda, é a amante dele. A sempre excelente Judi Dench, como figurinista, está muito bem também. Kate Hudson, fazendo a jornalista groupie, também está ótima. A diva intocável Nicole Kidman também está ótima no papel de diva intocável. E temos Sophia Loren, fazendo a mãe do cineasta. TODOS os atores que citei acima, com exceção de Kate Hudson, que já foi nomeada, já ganharam o Oscar. Mas o filme não flui. Falta química nessa turma toda. E faltam, especialmente, bons números musicais. Assisti o filme ontem a noite e o único número que consigo lembrar claramente é “Be Italian”, com a competente Fergie. Foi o único número que me chamou a atenção, pela beleza do figurino, pelo lance interessante do pandeiro e da areia, pela interpretação da Fergie. E só. Saber que o filme foi baseado em um musical da Brodway e que duas das canções cortadas talvez sejam as melhores do musical só depõe, novamente, contra o filme.
Marshall errou a mão. Tinha um bom roteiro, baseado em “Oito e Meio” (8 1/2, Federico Fellini, 1963), uma das obras-primas de Fellini. Tinha um bom elenco. Tinha locações fantásticas. E não fez um bom filme com isso. As premiações e as críticas têm refletido isso: Nine foi nomeado em nove categorias no Critic´s Choice Awards: não levou nenhuma. Está indicado ao Oscar nas categorias Direção de Arte, Figurino, Música (Take It All, de Maury Yeston, cantada por Marion Cotillard) e Atriz Coadjuvante, com Penelope Cruz. Acho que se levar algum prêmio, será o de figurino.
A ideia de fazer o jovem Guido contracenar com o atual e a mãe dando conselhos foi mal executada: como disse um amigo meu, em alguns momentos a mãe morta parada ao lado de Guido Contini dizendo “Você pode! Basta acreditar em você mesmo!” parecia cena de filme de kung fu de Hong Kong ou de filme jedi, onde o mentor já morto conduz o pupilo.
Enfim, da safra atual dos filmes, o mais fraco dos que eu vi até agora. Aguardo ansiosamente as estreias do final de semana: Educação e Preciosa!