11.08.09

Criaturas da Noite

Enviado em Uncategorized tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , às 12:24 por Pedro Cunha

No próximo dia 20 de novembro milhões de meninas vão aos cinemas suspirar e desejar sinceramente uma mordidinha no pescoço. Se ela vier de Edward, o Vampiro Camarada, melhor ainda. Enquanto esperam, é provável que baixem os episódios de True Blood ou de The Vampire Diaries. Vampiros estão na moda, definitivamente. Ou, como diria uma amiga minha, “são tendência”.

Interessante é ver como o tratamento dos vampiros muda através dos tempos. O cinema já dedicou uma boa quantidade de celulose às Crianças da Noite. Muitos atores já se celebrizaram (e alguns se maldisseram) por protagonizarem bebedores de sangue. “Imagens, Sons e Telas” (oquei, esse nome é péssimo mesmo) pretende indicar oito bons filmes de vampiros já feitos nesse século e pouco de cinema.

O primeiro a ser indicado não poderia ser outro. Nosferatu (Nosferatu, Eine Synphonie des Grauens, 1922), de F.W. Murnau, é uma das primeiras adaptações da clássica obra “Drácula”, de Bram Stoker. Por problemas de direitos autorais o filme não pode fazer referência ao próprio Drácula, optando Murnau por chamar o filme de “Nosferatu” e o seu vampiro da Transilvânia de Conde Orlok. O filme, mudo, é considerado um dos marcos do expressionismo alemão, escola cinematográfica que cresceu na República de Weimar e mostra uma Alemanha amargurada ainda pela I Guerra Mundial e já assustada pela tenebrosa ascensão do nazismo. Orlok é magistralmente interpretado por Max Schreck, que criou um vampiro que certamente despertaria pavor nas adolescentes que suspiram por Edward. Orlok é nojento e abjeto, convive com ratos e sujeira. Ele representa o que há de ruim na humanidade.

Uma das mais clássicas cenas de filmes de horror

Uma das mais clássicas cenas de filmes de horror

Será que a Bella daria o pescocinho dela para ele?

Será que a Bella daria o pescocinho dela para ele?

Um filme que não trata exatamente de vampiros, mas tem vampiros no nome é “M, o Vampiro de Dusseldorf” (M, 1931, Fritz Lang). O mestre Lang conta a história da caça a um assassino de crianças no seu primeiro filme falado. O tema do assassino talvez seja um dos primeiros leitmotivs da história do cinema e o filme retrata a descrença geral nas pessoas e nas instituições da Alemanha durante a brutal crise econômica e o crescimento do nazismo…

Voltando aos vampiros propriamente ditos, Drácula (Dracula, 1931, Tod Browning) não poderia ficar fora da lista em função da caracterização magistral de Bela Lugosi. Sabe aquele vampiro com o cabelo todo penteado para trás, com a pele pálida e a capa preta forrada em vermelho? Se você tem esse vampiro como paradigma, agradeça a Bela Lugosi. O Conde Drácula dele, já apresentado aqui como um sedutor, foi tão definitivo que se transformou, durante décadas, no modelo do “verdadeiro” vampiro. A clássica cena do automóvel estragando no meio da madrugada bem na frente daquele castelo taciturno, clichê dos clichês dos filmes de terror, fez sua estreia aqui. E há, é claro, a clássica menção aos lobos, “Children of the night”. Se fosse existir apenas um clássico sobre vampiros, seria esse.

Bela Lugosi, o mais clássico dos vampiros

Bela Lugosi, o mais clássico dos vampiros

E dessa vez, a Bella ia? Será que a Bella ia no Bela? (desculpem, impossível resistir ao trocadilho...)

E dessa vez, a Bella ia? Será que a Bella ia no Bela? (desculpem, impossível resistir ao trocadilho...)

O personagem gótico de Bram Stoker também deu origem a “Drácula: O Príncipe das Trevas” (Dracula: Prince of Darkness, 1966, Terence Fisher). O nobre romeno foi vivido (tecnicamente um vampiro pode ser vivido? Enfim, não sei…) pelo sempre ótimo Christopher Lee. A história de Drácula é sempre parecida, mas a interpretação de Lee faz valer assistir, novamente, a mesma história.

Christopher Lee: Saruman nunca me enganou...

Christopher Lee: Saruman nunca me enganou...

O filme de vampiros que marcou a minha pré-adolescência (e do qual eu até participei de uma adaptação teatral) foi “A Hora do Espanto” (Fright Night, 1985, Tom Holland). Charlie, um adolescente viciado em filmes de terror antigos, fica desconfiado de um novo vizinho e seu empregado, que ele só vê a noite. Sua mãe, seu melhor amigo e sua namorada não acreditam em suas desconfianças e o próprio espectador é levado a duvidar de Charlie durante boa parte do filme. O filme é leve e tem toques de humor sarcástico, um típico filme dos anos 80.

Sorria, seu vizinho adolescente está olhando!!

Sorria, seu vizinho adolescente está olhando!!

É possível contar a história de Drácula de uma maneira diferente? Essa foi a pergunta que levou Francis Ford Coppola a fazer “Drácula de Bram Stoker” (Dracula, 1992). Coppola decidiu ir na contramão de todas as adaptações anteriores e, ao invés de usar a versão adaptada para o teatro, adaptar diretamente do livro de Stoker. Os fãs da história fazia anos pediam uma adaptação mais fiel ao livro, e foi isso que Coppola tentou fazer. O elenco é ótimo, com Winona Ryder como Mina Murray, Anthony Hopkins como van Helsing e Keanu Reeves como Jonathan Harker. Mas novamente o vampiro rouba a cena: o Conde Drácula de Gary Oldman talvez seja a maior interpretação da sua carreira.

Assista o filme e acredite: A Bella se entregava para esse...

Assista o filme e acredite: a Bella se entregava para esse...

Se os fãs de Bram Stoker queriam uma adaptação mais fiel, os fãs de Anne Rice pediam há muito também uma adaptação cinematográfica da obra vampírica da autora. “Entrevista com o Vampiro” (Interview with the Vampire, 1994, Neil Jordan) teve o roteiro adaptado pela própria Anne Rice para o cinema. Se Gary Oldman e Christofer Lee já haviam feito vampiros sedutores, o Louis de Point du Lac encarnado por Brad Pitt adiciona um outro elemento: o vampiro não é senhor da situação, é amargurado, tem remorsos e dúvidas. Humanizado, o vampiro torna-se heroi e ganha a simpatia do público. O vampiro mais tradicional é encarnado por Tom Cruise com o seu Lestat de Lioncourt. Destaque também para a jovem vampira-menina Claudia, atormentada por ter sido vampirizada ainda criança e que torna-se uma centenária num corpo infantil. Claudia foi interpretada por Kirsten Dunst, que tinha menos de doze anos durante as filmagens.

Vou encerrar minha lista com um filme que foge um pouco do padrão grave dos filmes vampíricos. “Drácula – Morto mas Feliz” (Dracula: Dead and Loving It, 1995, Mel Brooks) entra naquela categoria de spoof movies, filmes que satirizam um gênero.  O sempre hilariante Mel Brooks além de dirigir ainda faz o papel de van Helsing, enquanto o Drácula da vez é o imbatível Leslie Nielsen, soberano absoluto desse gênero.

Eu poderia falar ainda de Blade ou de Anjos da Noite, a questão é que eu não gosto tanto assim desses filmes. Enfim, curtam a lista!

PS: primeiro post em que eu me aventuro a colocar imagens…

8 Comentários »

  1. Guilherme disse,

    A Bella vai em todos, ela é uma biscate. xisdê.

  2. Bi Telini disse,

    aah, eu trocava a mordidinha do Edward por umas voltinhas com o Jacob <3 haha

  3. Mariana Sbaraini disse,

    Vi esses dias o filme “Drácula – morto mas feliz”.. achei o filme interessante, gostei bastante :D

  4. Não preciso nem dizer que tenho um amor incondicional por vampiros, e adorei esse artigo. Não vi todos esses filmes, só alguns deles, e o Entrevista com o Vampiro foi assistido umas 7 vezes por mim, tanto que sei vários dos diálogos de cor. Os vampiros foram mudando na concepção do público ao longo dos anos, do monstro horrendo e aterrorizador, o Conde sensual com um castelo antigo, o vampiro francês arrasador de corações(nem preciso dizer que é o meu favorito) e, com a saga do Crepúsculo, os vampiros bonzinhos que vão para a escola. Chega a ser engraçado comparar os primeiros com os últimos, é um contraste e tanto, mesmo assim, toda ideia é válida.

  5. Ghuyer disse,

    Tudo vai mudando. Os vampiros estão em uma fase extrema, mas a mudança dos vampiros não chega aos pés da mudança de como o público encarou a sexualidade no cinema.
    Gostei das fotos! Continua com as fotos, porque as fotos enriquecem muito a formatação do texto, e chamam muito, mas muito mais atenção do que apenas um texto.
    Só vi o Entrevista com o Vampiro, mas tenho consciência dos outros longas. Estou doido pra ver o Nosferatu.. aliás, OS DOIS, pois também quero muito ver a versão do Werner Herzog.
    No mais só quero dizer que Crepúsculo não é um filme/livro sobre vampiros, de modo algum. A mórmon Stephenie Meyer não fala de vampiros; eles apenas estão nas histórias dela por estarem e chamarem mais atenção. Não é muito diferente de Malhação se for pensar bem, só que os galãs da globo ainda são um pouco melhores atores que o Robert Pattison.

  6. buba disse,

    que bom

  7. Nuni disse,

    Olha só, acabei de descobrir que o Gerard Butler fez o vampiro do Drácula 2000! Que bizarro, ele nom é vampiresco u.u’

    Beijoteamo

  8. Rodrigo Peroni disse,

    Post muito bom. ;D Eu queria tanto ver estes filmes antigos e ultra-cults, mas onde baixar/assistir/alugar/conseguir??!??!??
    Eu tenho o livro “1001 filmes para se ver antes de morrer” e metade deles têm mais de 60 anos! Como conseguir um filme de 1912, alguém sabe??


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